segunda-feira, 29 de junho de 2009

PROJECTO DE PREPARAÇÃO PARA O PARTO

A equipa que segue a mulher desde o início tem a oportunidade de lhe transmitir a informação fundamental para uma vivência saudável da gravidez, parto e pós-parto, constituindo-se os cursos de preparação para o parto momentos privilegiados para desmistificar crenças interiorizadas de forma incorrecta e empírica, mediante histórias relatadas de gravidezes e partos complicados, através, sobretudo, da tradição oral, que leva a que muitas mulheres desconheçam o seu corpo e o que se passa com elas, convergindo em insegurança e ansiedade.

A educação perinatal (que inclui a preparação para o nascimento) serve para ajudar as mães e seus familiares a tomar decisões informadas e seguras acerca da gravidez, parto e início da parentalidade. É esta informação que promove a interpretação da adaptação da mulher às alterações que ocorreram no seu organismo como situações não patológicas, aumentando a percepção de controlo e a satisfação com o nascimento.

Os principais desafios com que nos vamos deparar estão ligados, principalmente, à necessidade de mudar as mentalidades no que concerne à preparação para o parto, considerando que tanto os profissionais de saúde como os casais apresentam, geralmente, ideias pré-concebidas que condicionam a aplicação de qualquer método.

Vellay, em 1998, enumerou como obstáculos por parte das mulheres à implementação do método psicoprofilático de preparação para o parto, as suas ideias de que se deve seguir a tradição; de que o método representa um grande esforço ou de que seriam demasiado nervosas para o aplicar. A estes preconceitos podemos adicionar a noção errónea de que o que a mulher aprende na preparação para o parto será inútil ou incompatível com a terapêutica via epidural ou a inevitabilidade de uma cesariana. Acrescenta como impedimentos à execução do método, por parte dos profissionais de saúde, a ignorância sobre os fundamentos do mesmo, a incompreensão na relação entre o profissional e o utente e a dificuldade em romper com os hábitos adquiridos.

Este assunto preocupa-nos pois, para todas as grávidas terem acesso a cursos de preparação nas mesmas condições serão necessários mais cursos em espaços públicos, de acesso gratuito, ministrados por enfermeiros especialistas.

A realidade dos nossos programas de educação perinatal passa por projectos de educação para a saúde em consultas externas, centros de saúde e algumas instituições privadas, consoante as possibilidades e recursos disponíveis e adaptados às necessidades de informação.

De acordo com o Ministro da Saúde e justificando este tipo de projectos nas maternidades, os dados disponíveis sobre o processo de reorganização mostram que a assistência no parto no Sistema Nacional de Saúde oferece, à mãe e ao filho, serviços mais especializados e sofisticados, dando garantias de qualidade e segurança. Da necessidade de reduzir a taxa de cesarianas alargou-se o acesso à preparação psicoprofilática para o parto e aumentou-se o acesso à analgesia epidural. Um indicador robusto da segurança e da qualidade (garantir baixa mortalidade e complicações) mostra a elevada redução nas transferências entre hospitais dos recém-nascidos necessitados de cuidados intensivos neonatais (-25%).

Neste sentido, a Direcção Geral de Saúde preconiza a preparação para o parto, física e psíquica, de forma a contrariar a elevada percentagem actual, reduzindo o número de cesarianas em 2-5% ao ano, até se atingir o indicador de 20 cesarianas para 2010.

OBJECTIVOS:
- Aperfeiçoar os conhecimentos relativos à gravidez, parto e puerpério;
- Capacitar o casal para tomadas de decisão autónomas e potenciá-lo a colaborar nos procedimentos durante o parto e puerpério;
- Corrigir erros;
- Treinar capacidades neuro-musculares e respiratórias que facilitem o parto e o controlo da dor;
- Aumentar a satisfação do casal face ao nascimento;
- Minimizar a ansiedade e medo;
- Diminuir os indicadores de morbilidade e mortalidade materno-infantis;
- Aumentar a utilização de métodos não farmacológicos de controlo da dor como coadjuvantes da analgesia;
- Motivar as utentes para que todas as inscritas completem o curso.

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