segunda-feira, 29 de junho de 2009

AMAMENTAÇÃO


Segundo a OMS (Organizaçao Mundial de Saúde) o Leite Materno contém exactamente os nutrientes de que o recém-nascido necessita, é facilmente digerido e processado pelo seu organismo e protege-o contra as infecções. Entre as vantagens da amamentação estão os factos do alimento estar sempre pronto, ser mais prático e ficar mais barato, por exemplo.
O aleitamento materno deve ser iniciado na primeira hora de vida do RN, preferencialmente sem ser precedido de outro tipo de substâncias (como o leite artificial ou água com açúcar) e deve ser mantido durante os primeiros 6 meses de vida. Este tipo de alimentação promove o desenvolvimento do bebé e o estabelecimento de laços com a mãe (embora não seja a única forma de estabelecer esses laços).
Após o nascimento, o recém-nascido pode ser colocado sobre o peito da mãe em contacto pele a pele, o que deve ser prática corrente durante a amamentação (não sendo necessárias fraldas entre a mãe e o bebé durante estes períodos, por exemplo).
O recém-nascido está pronto para iniciar a amamentação quando começa a olhar em volta, movimentando-se, de boca aberta, à procura. Para o fazer há que colocá-lo na posição correcta: o recém-nascido deve estar com a cabeça e corpo alinhados na mesma direcção (virados para o corpo da mãe) e com o nariz acima do mamilo, sendo todo o seu corpo suportado pela mãe e não apenas os ombros ou o pescoço.
De acordo com as imagens em cima, a mãe deve tocar com o mamilo nos lábios do recém-nascido, aguardar que a sua boca esteja completamente aberta e, nessa altura puxar o bebé para si de modo a que o mamilo e a maior quantidade de aréola possível fiquem dentro da boca do recém-nascido, deixando o lábio inferior do recém-nascido bem abaixo do mamilo e virado para fora.
Como sinais de uma boa pega podemos considerar mais aréola visível acima do lábio superior do recém-nascido (que também deve estar virado para fora), boca do recém-nascio bem aberta, queixo do recém-nascido a tocar na mama.
As sucções devem ser lentas, profundas e com algumas pausas para serem realmente eficazes e a deglutição deve ser perceptível.
Se o recém-nascido tiver dificuldade em aderir por a mama estar ingurgitada poderá ser realizado ligeiro esvaziamento manual antes de iniciar a mamada. Permitir que seja o recém-nascido a largar a mama e, nessa altura, oferecer a outra mama se já não conseguir obter colostro/leite ao espremer na primeira.
Se o recém-nascido não apresentar qualquer interesse na primeira hora e não apresentar outros sinais de complicação pode permanecer junto à mãe aguardando-se até, no máximo, 3 horas.
Se a mãe não estiver em condições de amamentar deve ser auxiliada a extrair leite, que será oferecido em copo ou à colher no 1º dia de vida, sempre que para isso houver condições. Se a mãe não puder amamentar terá de se oferecer leite artificial adaptado ao recém-nascido.
No sentido de promover o aleitamento materno o recém-nascido não deve ser separado da mãe e deve permanecer em espaço de fácil acesso (na cama da mãe ou em berço ao seu alcance). Nas primeiras 24 horas de vida o recém-nascido deve mamar sempre que o solicitar.
Não se deve forçar o recém-nascido a mamar, interromper a mamada ou oferecer outro tipo de alimento, água, tetinas artificias ou chupetas.
Apesar destas recomendações o RN deve mamar com intervalos que podem oscilar de 2 a 5 horas (para permitir que faça mamadas eficazes e para evitar as situações de hipoglicémia).
Mesmo nos casos em que o recém-nascido é pequeno (por RCIU – restrição de crescimento intra-utrino – ou por Prematuridade – idade gestacional abaixo das 36 semanas) a mãe deve amamentar, se a situação do recém-nascido o permitir e mesmo que seja necessário complementar as mamadas com leite artificial adaptado (que nunca deve ser oferecido antes da tentativa de colocação do RN à mama), pois as necessidades destes recém-nascidos justificam-no ainda mais. No entanto podem surgir dificuldades com estes recém-nascidos como o cansaço fácil, períodos de sucção com intervalos mais frequentes demorando mais tempo ou podem ainda necessitar de estímulo para não adormecer durante as mamadas e podem não acordar para mamar.
As características do leite materno mudam de um soro misturado com uma substância espessa amarela inicial – colostro – para o leite que será branco e menos espesso e ambos são essenciais para o recém-nascido.
A amamentação é um tema que ao longo dos tempos foi gerando polémica pelas mais variadas razões.
Houve o tempo em que amamentar era a única maneira de manter sobrevivência da espécie, veio também a altura em que se dava leite de animais na falta de alternativa, das amas-de-leite a quem se recorria pelas mais variadas razões, dos leites artificiais mais ou menos adaptados às necessidades dos recém-nascidos e dos bancos de leite humano pasteurizado (ainda não disponíveis no nosso País) surgindo, com o passar dos anos dezenas de produtos cuja função seria, teoricamente, facilitar a vida da pessoa que cuida do bebé: biberão, mamilos artificiais, chupetas, pomadas variadas, tetinas especiais, discos de amamentação descartáveis ou não, etc.
Considerando a nossa ocupação profissional, a análise destes factos só nos vem confirmar uma desconfiança: amamentar não é sempre um mar de rosas… apesar de continuar a ser a melhor forma de alimentar um recém-nascido por inúmeras razões, há situações que obrigam a que se criem alternativas.
É nossa função, como profissionais de saúde e acima de tudo neste contexto garantir a sobrevivência do recém-nascido, que depende directamente da sua alimentação (seja ela sob que forma for) e providenciar que as escolhas da mãe neste âmbito sejam informadas e fundamentadas, respeitando-as e facilitando a sua aplicação prática.
Considerando que aqui se fala de preparação para o parto optámos por falar do que é a realidade da amamentação evitando os extremos que pintam um quadro ora cor-de-rosa ora negro deste acto tão natural que, por ser natural, não é isento de obstáculos a ultrapassar, de preferência com a ajuda de alguém que esteja convenientemente informado, sempre que possível.
Quando se verificam mamilos macerados ou fissurados há que corrigir a posição e a pega do RN, se for caso disso, ou ensinar a retirar leite materno com expressão manual se a mãe não tolerar amamentar desse lado. Não sendo recomendações da OMS há ainda outras alternativas: a expressão de uma gota de colostro/leite e a sua colocação no mamilo e aréola depois de amamentar ou uma pomada/creme cicatrizante adequado (que não seja necessário limpar antes de pôr o recém-nascido a mamar na vez seguinte) ajudam a prevenir e melhorar estas dificuldades. Havendo já bastante leite e observando a colaboração do recém-nascido pode recorrer-se ao uso do mamilo de silicone, salientando-se, no entanto, que a sensação dolorosa poderá não desaparecer por completo em alguns casos.
A expressão de leite materno justifica-se quando a mãe terá de se afastar do RN, quando ele necessita de complementar as mamadas e a mãe apresenta bastante leite ou quando não consegue mamar directamente na mama, para aliviar o ingurgitamento mamário ou na presença de mastite ou abcesso mamário.
A mulher deve ser ensinada a fazê-lo mas o procedimento não deve ser sistematicamente efectuado pelo profissional de saúde.
Deve começar-se por lavar as mãos, adoptar uma posição confortável com o objecto a utilizar para guardar o leite (se for esse o caso) abaixo da mama e, com a mão em “C”, colocar o polegar e o indicador acima e abaixo da aréola realizando o movimento semi-circular puxando os dedos para trás do mamilo e depois da direcção do mesmo. Para facilitar pode usar-se o calor húmido (com saco de gel, compressas ou toalhas, por exemplo), massagem nas costas e pescoço antes de iniciar e na própria mama e mamilo durante a expressão.
Se for o caso de ingurgitamento mamário deve realizar-se a expressão até aliviar a dor e desconforto e pode aplicar-se frio (com gelo durante 5 minutos duas vezes em cada mama alternando durante 20 minutos) para aliviar o edema. Nestas situações pode verificar-se subida da temperatura (que deve ser vigiada) mas apenas será irrelevante até aos 38ºC, a partir dos quais deve ser contactado um profissional de saúde.
Ao contrário daquilo que podem ouvir/ler em vários sítios: amamentar não depende apenas da vontade da mãe. Há situações alheias à vontade da mãe que podem condicionar o sucesso da amamentação.
Por exemplo há senhoras que apresentam mamilos que seriam, aparentemente desfavoráveis à amamentação e que têm recém-nascidos que não mostram qualquer dificuldade em aderir, mas também acontece haver quem apresente mamilos tão favoráveis à amamentação quanto aqueles que vemos nos livros mas que têm recém-nascidos que não aderem ou que, por alguma razão, não apresentam qualquer interesse e não mamam. Há senhoras que aparentemente amamentam sem dificuldades inicialmente e que acabam por desenvolver situações complicadas de mamilos fissurados ou congestão mamária acentuada que se tornam intoleráveis. Há casos em que a amamentação parece estar plenamente estabelecida mas em que os recém-nascidos continuam a perder peso e a apresentar sinais de desidratação e que necessitam de suplementos de leite artificial porque ainda não é possível saber que quantidade de leite materno é que têm mamado, pois a mama não apresenta graduação.
Algumas destas situações podem ser resolvidas com a ajuda de um profissional de saúde, mas também há outras para as quais, infelizmente, não encontramos solução. É nestes casos que a mãe precisa de ser informada sobre as alternativas e auxiliada (não influenciada) na tomada de decisão.

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